Um dia, acharam graça do poema.
Noutro, fizeram cara triste.
Num terceiro, choraram sua falta.
Poema distante do dia a dia,
diferente de amantes
diariamente juntos
na saudade do que houve antes...
Insconstância d'alma!
Saudade e desgraça...
Poemas sem graça,
Poema dos doentes consigo.
Poema, tormento dos que riem,
Assunto dos que gargalham
E choram...
O plantão não é dos poetas,
Doutores das desgraças que leem.
Da alma, padecem os doentes,
Parvos de plantão, carentes de poemas.
sábado, 14 de novembro de 2009
sábado, 17 de outubro de 2009
Noturno a Chopin (ou Música em sonho)
- Ana Lúcia – 09
Onze da noite e resolvo dormir.
O sono não vem e os sonhos persistem.
Briguei com os sonhos e o sono brigou comigo.
De mal com o mundo.
De mal comigo.
Pelas tantas, cansaço de guerra,
o sono sente a chegada dos sonhos.
Psiu...
Silêncio!!!
Escuro.
Sonhei que era jovem e minha cara era a de hoje.
Sonhei que o piano que não toco tinha teclas duras.
Sem som.
Sem sonho.
Silêncio...
Tenho sono e sonho sonhar...
.........
As melodias das teclas trituram a cabeça, traem os dedos,
Não sabem sair.
As teclas, duras.
As pedras duram.
Minha cabeça é dura.
Eu duro.
O piano não toca;
os dedos são traídos.
Não toco.
Silêncio!
Psiu....
Teclas, pedras, cabeça branca e vazia,
Ferramentas inúteis!
Piano e dedos traiçoeiros...
As teclas brancas e pretas, cheias de notas que os dedos não tocam;
piano que meus dedos não tocam.
Piano silêncio
Som sem sair.
Inútil tentar tocar as teclas que não tecem o sonho da música.
Inútil tentar dormir e sonhar.
Dedos de pedra e melodias insonoras.
Hora de sono sem som e sem sonho.
Insônias...
Silêncio obscuro.
De repente, o violão.
Desconhecido, cisma e surge no meu sonho
sem convite, sem orquestra.
As cordas fluem, vibram,
Insensatamente...
O violão sonoro do sonho,
Berimbau e aplausos.
Eu já não sou eu.
Sou a cara de outro.
Os cabelos, sombras de sons.
Surgem acordes, som e sonho.
“De ça de là,
Les sanglots longs des violons de l’automne
Blessent mon coeur d’une longueur monotonne...”
De um piano vieram outros
e mais outros pianos
e mais outros teclados.
Vieram acordes que os dedos não sabem tocar,
Dedilhados sós,
não soam.
Tons sem sons,
Tons petrificados.
No sono, do sonho de ser som
surgem somente vibratos,
vibrações, violões.
Até o despertar da sensação sublime do sono descansado.
Sonho noturno.
Chopin.
Despertai!
Despertei:
O violão velou a vã querença de ser artista.
- Ana Lúcia – 09
Onze da noite e resolvo dormir.
O sono não vem e os sonhos persistem.
Briguei com os sonhos e o sono brigou comigo.
De mal com o mundo.
De mal comigo.
Pelas tantas, cansaço de guerra,
o sono sente a chegada dos sonhos.
Psiu...
Silêncio!!!
Escuro.
Sonhei que era jovem e minha cara era a de hoje.
Sonhei que o piano que não toco tinha teclas duras.
Sem som.
Sem sonho.
Silêncio...
Tenho sono e sonho sonhar...
.........
As melodias das teclas trituram a cabeça, traem os dedos,
Não sabem sair.
As teclas, duras.
As pedras duram.
Minha cabeça é dura.
Eu duro.
O piano não toca;
os dedos são traídos.
Não toco.
Silêncio!
Psiu....
Teclas, pedras, cabeça branca e vazia,
Ferramentas inúteis!
Piano e dedos traiçoeiros...
As teclas brancas e pretas, cheias de notas que os dedos não tocam;
piano que meus dedos não tocam.
Piano silêncio
Som sem sair.
Inútil tentar tocar as teclas que não tecem o sonho da música.
Inútil tentar dormir e sonhar.
Dedos de pedra e melodias insonoras.
Hora de sono sem som e sem sonho.
Insônias...
Silêncio obscuro.
De repente, o violão.
Desconhecido, cisma e surge no meu sonho
sem convite, sem orquestra.
As cordas fluem, vibram,
Insensatamente...
O violão sonoro do sonho,
Berimbau e aplausos.
Eu já não sou eu.
Sou a cara de outro.
Os cabelos, sombras de sons.
Surgem acordes, som e sonho.
“De ça de là,
Les sanglots longs des violons de l’automne
Blessent mon coeur d’une longueur monotonne...”
De um piano vieram outros
e mais outros pianos
e mais outros teclados.
Vieram acordes que os dedos não sabem tocar,
Dedilhados sós,
não soam.
Tons sem sons,
Tons petrificados.
No sono, do sonho de ser som
surgem somente vibratos,
vibrações, violões.
Até o despertar da sensação sublime do sono descansado.
Sonho noturno.
Chopin.
Despertai!
Despertei:
O violão velou a vã querença de ser artista.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Tristeza pelos poros
Tristeza pelos poros
Aperta bem, chora de dor e te alivia.
Tudo no final se cicatriza.
Estou triste também por todos os poros.
Ligo para ti e penso se tenho este direito.
Penso se tenho este direito democrata de te ligar
ou de ligar para quem quer que seja.
Direito de eu ficar triste?
Direito de tu ficares triste?
Ao menos, em minha quietude, recebo e aceito o supremo direito de estar só.
E calado, pergunto:
Qual direito existe em ficar triste ?
Qual direito tens de ficares triste?
Qual direito tenho, por Deus, de ficar triste....
Na democracia dos sentimentos restam mágoas.
Mágoas suspensas,
engasgadas em cada contorção de fingimento.
Mágoas suspensas
pelas palavras grosseiras, pelos tapas dados,
pelos tapas ditos.
Pelas palavras malditas.
Tapas escrachados na face vermelha de quem os levou.
Fora o arrependimento...
Tapas e mágoas que surgem com algum carinho.
Carinho do tempo, da circunstância, do ódio puro.
Pode ser amor, pode ser ira, qualquer pecado ou perdão.
Não sou o que sou. Ninguém o é.
Nem tu és nada do que estapeavas ou do que eras estapeado.
Tapas e palavras democraticamente dados e recebidos.
Vermelhos de vergonha!
Hoje, sinto apenas o resto de mim e admiro o pouco do resto que veem de mim.
A ti, nem enxergo, nem ninguém te enxerga.
Ferida cicatrizada, purulenta e antiga.
Seria tão difícil assim carregar nos ombros cansados o passado empacotado?
Sentirias falta de mim?
Falta dos outros?
Falta do resto da sombra de teu sorriso?
A sombra seria resto de fardo pesado?
A sombra seria falta de nunca teres sido utilitário em tempo passado e recomposto?
A sombra seria resto e nada mais.
Os poros transpiram, suam abandono.
Os poros cheiram mal...
Tristeza é fedor.
Tristeza de perceberes que não és o que pretendias.
Pus.
E dói.
Dói muito!
A tristeza quanto mais fétida, quanto mais dolorida, mais rápido a cura é suplicada.
Os poros arejam-se, libertam-se e clamam pela democracia:
Não quero ser triste, por isso eu, poro, purgo minha existência,
Ligo para ti, ferida, e proclamo a quem quer que aceite o meu, o nosso direito.
Meu único e exclusivo direito: amar sem dor !
Aperta bem, chora de dor e te alivia.
Tudo no final se cicatriza.
Estou triste também por todos os poros.
Ligo para ti e penso se tenho este direito.
Penso se tenho este direito democrata de te ligar
ou de ligar para quem quer que seja.
Direito de eu ficar triste?
Direito de tu ficares triste?
Ao menos, em minha quietude, recebo e aceito o supremo direito de estar só.
E calado, pergunto:
Qual direito existe em ficar triste ?
Qual direito tens de ficares triste?
Qual direito tenho, por Deus, de ficar triste....
Na democracia dos sentimentos restam mágoas.
Mágoas suspensas,
engasgadas em cada contorção de fingimento.
Mágoas suspensas
pelas palavras grosseiras, pelos tapas dados,
pelos tapas ditos.
Pelas palavras malditas.
Tapas escrachados na face vermelha de quem os levou.
Fora o arrependimento...
Tapas e mágoas que surgem com algum carinho.
Carinho do tempo, da circunstância, do ódio puro.
Pode ser amor, pode ser ira, qualquer pecado ou perdão.
Não sou o que sou. Ninguém o é.
Nem tu és nada do que estapeavas ou do que eras estapeado.
Tapas e palavras democraticamente dados e recebidos.
Vermelhos de vergonha!
Hoje, sinto apenas o resto de mim e admiro o pouco do resto que veem de mim.
A ti, nem enxergo, nem ninguém te enxerga.
Ferida cicatrizada, purulenta e antiga.
Seria tão difícil assim carregar nos ombros cansados o passado empacotado?
Sentirias falta de mim?
Falta dos outros?
Falta do resto da sombra de teu sorriso?
A sombra seria resto de fardo pesado?
A sombra seria falta de nunca teres sido utilitário em tempo passado e recomposto?
A sombra seria resto e nada mais.
Os poros transpiram, suam abandono.
Os poros cheiram mal...
Tristeza é fedor.
Tristeza de perceberes que não és o que pretendias.
Pus.
E dói.
Dói muito!
A tristeza quanto mais fétida, quanto mais dolorida, mais rápido a cura é suplicada.
Os poros arejam-se, libertam-se e clamam pela democracia:
Não quero ser triste, por isso eu, poro, purgo minha existência,
Ligo para ti, ferida, e proclamo a quem quer que aceite o meu, o nosso direito.
Meu único e exclusivo direito: amar sem dor !
Branquinha - A Mesa - Regina Célia Dayeh
A Mesa - Branquinha – Regina Célia
(uma visão dos que compartilharam)
Cada casa é um mundo. A minha, a do meu berço, um mundo diferente, com hábitos diferentes, comidas diferentes, cheiros diferentes, vindos de muito longe. Um mundo à parte dentro do universo.
Comecei a conhecer o seu mundo em torno dela. Pela primeira vez que entrei na sua casa nova minha atenção se voltou de imediato à minha direita, meu olhar ali se fixou. Logo na entrada, a foto na parede, éramos nós, ainda e sempre. Dando boas vindas ao tempo que nos acompanha.
À esquerda, o espaço reconstituído. Ela, no centro. Tentativa de manter estático no tempo o espaço passado.
Olhei por alguns minutos, quieta, tentando entender o que vinha do meu coração. Lágrimas inevitáveis.
Entendi, então.
Ela não poderia estar em outro lugar senão na cozinha. Porque é nesse espaço que preparamos o alimento do corpo, e era naquele espaço - agora reconstituído - que começamos a criar e alimentar muito do que somos hoje.
Alta madrugada, foi em torno dela que a curiosidade mútua se revelou, entre uma bebida e outra, entre uma gargalhada e um choro incontido, entre um cigarro e um copo de leite. Sensibilidade à flor da pele, quente, adolescente, na superfície fria. No seu mármore, terreno fértil, muito dessa amizade tão cara, tão querida foi semeada.
No início eram tão poucas as experiências que trocávamos, porque tão pouca era a idade, que eram mesmo sonhos que nós delineávamos, com riqueza de detalhes. E ela tudo ouvia, em tudo nos apoiava, firme, e nos aguardava, ansiosa e generosa, a cada véspera de prova, a cada fim de festa, a cada confidência trocada.
As pessoas em torno dela me eram agradáveis, acolhedoras, como são até hoje. Recebiam-me com a familiaridade daqueles que já a frequentavam há muito tempo. Percebi, desde logo, e desde logo busquei compartilhar da acolhida em torno da mesa, com o mesmo afeto que recebia.
Mesa é lugar sagrado, dizia-se em minha casa. Não se canta nem se assovia. Mas é lá que se come e se compartilha o alimento, hora em que a família se aproxima, dando conta de como foi o dia e de como se pretende o dia de amanhã. Mas naquele seu mundo, a mesa branquinha tinha um outro significado, uma outra sina, além daquela que lhe era própria. Ao seu redor e sobre ela idéias e conjecturas fluíam. Iniciantes no ofício de pensar e questionar; era junto dela que exercitávamos nossas filosofias.
Então, como que por mágica, também ao redor dela, amigavelmente, sentavam-se poetas, escritores, músicos, filósofos e todos aqueles que nós, na nossa imaginação, quiséssemos convidar. Era muita gente, e ela suportava a todos, imóvel, ponto de referência. E a cada encontro o nosso sentir se acrescia de todas as idéias malucas, formuladas ao som dos nossos compositores e cantores preferidos. Penso até que ela se arrepiou várias vezes ao ouvir as nossas besteiras, intimidades, chegando a ruborizar seu mármore acinzentado. Mas nós não víamos isso, preocupadas que estávamos em nos tornar adultas. Muitos dias, muitas noites e madrugadas etílicas ela nos suportou.
Ao chegar na casa nova, ao perceber que a minha memória se enganchava no espaço onde ela ficava, voltaram juntos todos aqueles que a rodeavam. O pai, que ria da nossa ignorância e nos indicava o caminho dos livros, a mãe de delicadeza inesquecível, as irmãs, os irmãos, vestibular, a faculdade, as festas, o reveillon, o hino nacional, a conversa varando a madrugada, o violão, o piano, o noturno de Chopin, discos voadores, gatos falantes, os namorados, os beijos, o sexo, chá de cozinha, casamentos, filhos, crises, separações, brigas, reconciliações.
De certa forma eu também a adotei, ou fui adotada, não importa muito a ordem das coisas, porque não iria mesmo alterar o produto. O produto somos nós. Orbitamos, inconscientes, ao seu redor, até hoje.
Não escrevo como memorialista ou nostálgica. Falo do presente tão presente, junto da mesinha branca, que está dentro de nós. Persistimos no mesmo espaço, rodeando-nos, nos estranhando e nos reconhecendo. Pouco importa se a mesa está, importa sim que ela é, ainda e sempre.
Fissuras, rachaduras, arranhões, são inevitáveis, na mesa e nas nossas vidas. A pátina do tempo (desculpe o chavão!), as rugas que contam histórias, o descascado da tinta que só faz aparecer a estrutura, aquilo que é, que apóia, que segura, indiferente a cor.
Cada casa é um mundo à parte dentro do universo. A branquinha habita nosso mundo, nossa casa-amizade, transcende o espaço e a matéria. Ao escrever sobre ela, estou ao redor dela, olhando para você numa madrugada qualquer, dando risada e falando bobagem, bebendo uísque e fumando, entre choro e filosofias, entre poesia e prosa, falando da vida.....ela, testemunha de tudo isso, hoje, tem muita história para contar !
(uma visão dos que compartilharam)
Cada casa é um mundo. A minha, a do meu berço, um mundo diferente, com hábitos diferentes, comidas diferentes, cheiros diferentes, vindos de muito longe. Um mundo à parte dentro do universo.
Comecei a conhecer o seu mundo em torno dela. Pela primeira vez que entrei na sua casa nova minha atenção se voltou de imediato à minha direita, meu olhar ali se fixou. Logo na entrada, a foto na parede, éramos nós, ainda e sempre. Dando boas vindas ao tempo que nos acompanha.
À esquerda, o espaço reconstituído. Ela, no centro. Tentativa de manter estático no tempo o espaço passado.
Olhei por alguns minutos, quieta, tentando entender o que vinha do meu coração. Lágrimas inevitáveis.
Entendi, então.
Ela não poderia estar em outro lugar senão na cozinha. Porque é nesse espaço que preparamos o alimento do corpo, e era naquele espaço - agora reconstituído - que começamos a criar e alimentar muito do que somos hoje.
Alta madrugada, foi em torno dela que a curiosidade mútua se revelou, entre uma bebida e outra, entre uma gargalhada e um choro incontido, entre um cigarro e um copo de leite. Sensibilidade à flor da pele, quente, adolescente, na superfície fria. No seu mármore, terreno fértil, muito dessa amizade tão cara, tão querida foi semeada.
No início eram tão poucas as experiências que trocávamos, porque tão pouca era a idade, que eram mesmo sonhos que nós delineávamos, com riqueza de detalhes. E ela tudo ouvia, em tudo nos apoiava, firme, e nos aguardava, ansiosa e generosa, a cada véspera de prova, a cada fim de festa, a cada confidência trocada.
As pessoas em torno dela me eram agradáveis, acolhedoras, como são até hoje. Recebiam-me com a familiaridade daqueles que já a frequentavam há muito tempo. Percebi, desde logo, e desde logo busquei compartilhar da acolhida em torno da mesa, com o mesmo afeto que recebia.
Mesa é lugar sagrado, dizia-se em minha casa. Não se canta nem se assovia. Mas é lá que se come e se compartilha o alimento, hora em que a família se aproxima, dando conta de como foi o dia e de como se pretende o dia de amanhã. Mas naquele seu mundo, a mesa branquinha tinha um outro significado, uma outra sina, além daquela que lhe era própria. Ao seu redor e sobre ela idéias e conjecturas fluíam. Iniciantes no ofício de pensar e questionar; era junto dela que exercitávamos nossas filosofias.
Então, como que por mágica, também ao redor dela, amigavelmente, sentavam-se poetas, escritores, músicos, filósofos e todos aqueles que nós, na nossa imaginação, quiséssemos convidar. Era muita gente, e ela suportava a todos, imóvel, ponto de referência. E a cada encontro o nosso sentir se acrescia de todas as idéias malucas, formuladas ao som dos nossos compositores e cantores preferidos. Penso até que ela se arrepiou várias vezes ao ouvir as nossas besteiras, intimidades, chegando a ruborizar seu mármore acinzentado. Mas nós não víamos isso, preocupadas que estávamos em nos tornar adultas. Muitos dias, muitas noites e madrugadas etílicas ela nos suportou.
Ao chegar na casa nova, ao perceber que a minha memória se enganchava no espaço onde ela ficava, voltaram juntos todos aqueles que a rodeavam. O pai, que ria da nossa ignorância e nos indicava o caminho dos livros, a mãe de delicadeza inesquecível, as irmãs, os irmãos, vestibular, a faculdade, as festas, o reveillon, o hino nacional, a conversa varando a madrugada, o violão, o piano, o noturno de Chopin, discos voadores, gatos falantes, os namorados, os beijos, o sexo, chá de cozinha, casamentos, filhos, crises, separações, brigas, reconciliações.
De certa forma eu também a adotei, ou fui adotada, não importa muito a ordem das coisas, porque não iria mesmo alterar o produto. O produto somos nós. Orbitamos, inconscientes, ao seu redor, até hoje.
Não escrevo como memorialista ou nostálgica. Falo do presente tão presente, junto da mesinha branca, que está dentro de nós. Persistimos no mesmo espaço, rodeando-nos, nos estranhando e nos reconhecendo. Pouco importa se a mesa está, importa sim que ela é, ainda e sempre.
Fissuras, rachaduras, arranhões, são inevitáveis, na mesa e nas nossas vidas. A pátina do tempo (desculpe o chavão!), as rugas que contam histórias, o descascado da tinta que só faz aparecer a estrutura, aquilo que é, que apóia, que segura, indiferente a cor.
Cada casa é um mundo à parte dentro do universo. A branquinha habita nosso mundo, nossa casa-amizade, transcende o espaço e a matéria. Ao escrever sobre ela, estou ao redor dela, olhando para você numa madrugada qualquer, dando risada e falando bobagem, bebendo uísque e fumando, entre choro e filosofias, entre poesia e prosa, falando da vida.....ela, testemunha de tudo isso, hoje, tem muita história para contar !
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Coração Valente
Ligeiramente zonza, sua cabeça buscava compreensão do inexplicável.
Ligeiramente trêmulas, suas mãos procuravam segurar o disperso.
Um pouco míopes, seus olhos tentavam traçar impressões.
Assim como os olhos, mãos e cabeça percebiam o insustentável.
Nada era traçado.
Feliz, seu coração disrítmico,
Imperceptível às impressões, tremores e tonturas,
Simplesmente batia:
Tum, Tum-Tum, Tum...
E desse modo continuou.
Ao primeiro beijo
À primeira raiva
Ao último suspiro
Batendo sem compasso,
Esmurrando sem comparsas,
Vibrando e desfibrilando.
Tudo em sua vida era apenas coração contínuo
Que, tonto, tremia e nada segurava.
Só batia e batia: Tum-tum, Tum, Tum...
Arritmia.
.........................
Parada cardíaca.
Ligeiramente zonza, sua cabeça buscava compreensão do inexplicável.
Ligeiramente trêmulas, suas mãos procuravam segurar o disperso.
Um pouco míopes, seus olhos tentavam traçar impressões.
Assim como os olhos, mãos e cabeça percebiam o insustentável.
Nada era traçado.
Feliz, seu coração disrítmico,
Imperceptível às impressões, tremores e tonturas,
Simplesmente batia:
Tum, Tum-Tum, Tum...
E desse modo continuou.
Ao primeiro beijo
À primeira raiva
Ao último suspiro
Batendo sem compasso,
Esmurrando sem comparsas,
Vibrando e desfibrilando.
Tudo em sua vida era apenas coração contínuo
Que, tonto, tremia e nada segurava.
Só batia e batia: Tum-tum, Tum, Tum...
Arritmia.
.........................
Parada cardíaca.
sábado, 5 de setembro de 2009
Expectativas
Quando era muito criança, ficava à frente da telinha em preto e branco,
Feliz, bastavam-lhe as imagens.
As cores, estas viviam em sua cabeça.
Músicas, séries bobas, shows e festivais.
Adorava.
O que acontecia em volta, nem percebia.
Em preto e branco, em cores.
Uma boba séria e jovem.
Mas, mesmo sem pressentir o ciberespaço,
E ainda que tenha visto o homem mais velho pisar na lua em preto e branco,
Duvidou.
Duvidou da humanidade, da família.
Duvidou dos pais, avós, tios, irmãos, sobrinhos, primos...
Ficou muito triste quando percebeu que deveria duvidar dos amigos.
Então, sofreu.
Quando era muito criança, ficava à frente da telinha em preto e branco,
Feliz, bastavam-lhe as imagens.
As cores, estas viviam em sua cabeça.
Músicas, séries bobas, shows e festivais.
Adorava.
O que acontecia em volta, nem percebia.
Em preto e branco, em cores.
Uma boba séria e jovem.
Mas, mesmo sem pressentir o ciberespaço,
E ainda que tenha visto o homem mais velho pisar na lua em preto e branco,
Duvidou.
Duvidou da humanidade, da família.
Duvidou dos pais, avós, tios, irmãos, sobrinhos, primos...
Ficou muito triste quando percebeu que deveria duvidar dos amigos.
Então, sofreu.
Momentos
Naqueles poucos momentos,
Quase minutos, quase segundos
Que seus enormes olhos verdes
Puxados
Encontravam-se com os meus,
Estranhos e castanhos olhos,
Sentia-me atraída a eles e por eles
Olhos e mãos, pernas e corpo.
Naqueles poucos minutos, quase segundos,
Hoje, raríssimas lembranças,
Reminiscências, longe, muito longe...
Sinto-me estranha do que possa ter sentido;
Quase esqueço.
Penso, aperto os olhos,
Até que cheguem perto de ficarem verdes.
Mas o pensamento é distante e estranho,
E o tempo vivido é tão saudade somente
Que o silêncio imobiliza as sensações,
Congela-as por minutos, segundos...
A saudade é tão fria que permanece passado,
Fixa, num só momento verde-castanho,
Corpo e alma inertes!
No farol, emparelham-se olhares que rapidamente se trocam,
Sorrisos cúmplices das cores, dos cheiros
Dos sons
Da buzina de um carro,
Do que é visto, ouvido e cheirado.
Tudo fragmentado, decomposto e imperceptível.
Não há lamentos nem tampouco grandes gargalhadas.
Restam saudade e silêncio:
Uma, fria e verde, de tão apertada;
Outro, estático e castanho, de tão desejável.
Só se quer agora o silêncio castanho de tudo!
Naqueles poucos momentos,
Quase minutos, quase segundos
Que seus enormes olhos verdes
Puxados
Encontravam-se com os meus,
Estranhos e castanhos olhos,
Sentia-me atraída a eles e por eles
Olhos e mãos, pernas e corpo.
Naqueles poucos minutos, quase segundos,
Hoje, raríssimas lembranças,
Reminiscências, longe, muito longe...
Sinto-me estranha do que possa ter sentido;
Quase esqueço.
Penso, aperto os olhos,
Até que cheguem perto de ficarem verdes.
Mas o pensamento é distante e estranho,
E o tempo vivido é tão saudade somente
Que o silêncio imobiliza as sensações,
Congela-as por minutos, segundos...
A saudade é tão fria que permanece passado,
Fixa, num só momento verde-castanho,
Corpo e alma inertes!
No farol, emparelham-se olhares que rapidamente se trocam,
Sorrisos cúmplices das cores, dos cheiros
Dos sons
Da buzina de um carro,
Do que é visto, ouvido e cheirado.
Tudo fragmentado, decomposto e imperceptível.
Não há lamentos nem tampouco grandes gargalhadas.
Restam saudade e silêncio:
Uma, fria e verde, de tão apertada;
Outro, estático e castanho, de tão desejável.
Só se quer agora o silêncio castanho de tudo!
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Mesa da cozinha – Ou BRANQUINHA - II
Esperanças , expectativas e espelhos
Não era em torno da mesa que tudo se conciliava.
Não era pelo bem-amar, pela globalização ou perfeição que Branquinha se tornava o elo de todos e tudo.
As expectativas de conciliação eram mesmo irritantes. Ninguém é perfeito, ninguém se identifica com uma simples mesa, sem graça, no meio da cozinha, apenas porque os outros acham, pensam e esperam que ela, a porcaria da mesa, seja elo de algo ou de alguém ...
Branquinha nada mais era do que concretização desses sentimentos controvertidos e inacabados.
Branquinha há muito ficou no passado e, agora, tentam libertá-la desta antiga modernidade pragmática que tinha adquirido faz tempo!
Significante e significado misturam-se numa única explicação científica: “vim para servir! Vim para ser mesa de mim. Estou cheia de ser redonda, forma fácil de conciliação.”
É o que esperavam dela... Pobre expectativa.
Ela, por si, queria os elos sinceros das retas, sem meandros, sem hipocrisias dos sofrimentos vividos dos outros, pelos outros e para os outros.
“Retas têm elos ?” Iria se perguntar pela existência afora.
Ela, por si, não queria gritos e choros. Mas, quantos não percebeu, mesmo sem pedir ou pretender?
Na praia, existiria por si mesma, adequada à paisagem calma, às vezes fria, às vezes quente, quase sempre em neblina! Mas, teria uma existência só dela. Nada englobava ninguém.
Ah, como tudo à sua volta era tão longe, tão fora de seu alcance. E, como tudo à sua volta parecia aos outros tão em ordem, bem colocado, pacificador ...
Por que?
Talvez, fosse confundida como algo superior, cujo dever ser era promover a paz em nome de Deus.
De que paz falavam? De que responsabilidades falavam? De qual deus falavam?
Não era simplesmente uma mesa? Aliás, uma mesa, nem quadrada, nem redonda , cor indefinida, surda e muda... Em sua volta - volta?
E as retas, onde ficavam ou aonde iam? - , em torno, só olhares. E ela desconhecia o passado que pertencia a tantos outros e não a ela mesma, que nada compreendia de verdade.
Pretensões e expectativas de compactar, mas não compactuar por não serem suas, amores e qualidades de irmãos e pais. Perfeição de união que nem esperava atingir e ninguém perguntou se assim queria. Só exigências.
Branquinha não era elo.
Branquinha era apenas ela mesma e, por isso, foi levada para longe a observar o mar, cujas ondas vão e vêm, sem nunca serem as mesmas.
Então, no movimento de todos, como as ondas do mar, pelo testemunho de todos e tudo, Branquinha tornou-se ela e, paradoxalmente, confundiu-se com um pouco de cada um.
Bela, se assim nascera; graciosa e cheirosa porque a fluidez é necessária; feminista e acreditando-se justa, quando convinha; poeta e inteligente, pois que do contrário, ninguém sentaria ao seu redor; bem amada, para dar sentido à sua existência.
Tudo, como um rio, desaguando na água da pretensão, criativa e esperançosa da conciliação. Dos outros.
Responsável demais, essa Branquinha, que não passava de mesa de mármore !
Mármore muito duro, mas que, num certo tempo, rachou-se.
Agora, lá, olhando o mar e respirando a maresia, Branquinha acredita-se o regaço e até fala como se assim o fosse.
É mais sincero este espelho. Sente-se gentil, como a bruma, inocente e dócil, como o entardecer de verão. Calma, de olhos fechados (mesa tem olhos?), aguardando a brisa à beira-mar...
Política, já que as discussões inúteis levam ao nada. À espera da pureza de coração que, certa e maternalmente, poderá atingir se continuar a contemplar o mar, sentir a brisa e ouvir o burburinho das folhas na montanha que a levam, sabe Deus, aonde...
Tão confundida é Branquinha que vê o reflexo daquilo que talvez nem seja ela ou dela.
Tão precisa e firme é Branquinha. Quem sabe, seu espelho mostre o que todos nela queiram mirar.
Ela, de frente para o mar, apenas reflete, enquanto a bruma envolve seus pés de ferro, pintados de branco, fincados no chão desconhecido.
Esperanças , expectativas e espelhos
Não era em torno da mesa que tudo se conciliava.
Não era pelo bem-amar, pela globalização ou perfeição que Branquinha se tornava o elo de todos e tudo.
As expectativas de conciliação eram mesmo irritantes. Ninguém é perfeito, ninguém se identifica com uma simples mesa, sem graça, no meio da cozinha, apenas porque os outros acham, pensam e esperam que ela, a porcaria da mesa, seja elo de algo ou de alguém ...
Branquinha nada mais era do que concretização desses sentimentos controvertidos e inacabados.
Branquinha há muito ficou no passado e, agora, tentam libertá-la desta antiga modernidade pragmática que tinha adquirido faz tempo!
Significante e significado misturam-se numa única explicação científica: “vim para servir! Vim para ser mesa de mim. Estou cheia de ser redonda, forma fácil de conciliação.”
É o que esperavam dela... Pobre expectativa.
Ela, por si, queria os elos sinceros das retas, sem meandros, sem hipocrisias dos sofrimentos vividos dos outros, pelos outros e para os outros.
“Retas têm elos ?” Iria se perguntar pela existência afora.
Ela, por si, não queria gritos e choros. Mas, quantos não percebeu, mesmo sem pedir ou pretender?
Na praia, existiria por si mesma, adequada à paisagem calma, às vezes fria, às vezes quente, quase sempre em neblina! Mas, teria uma existência só dela. Nada englobava ninguém.
Ah, como tudo à sua volta era tão longe, tão fora de seu alcance. E, como tudo à sua volta parecia aos outros tão em ordem, bem colocado, pacificador ...
Por que?
Talvez, fosse confundida como algo superior, cujo dever ser era promover a paz em nome de Deus.
De que paz falavam? De que responsabilidades falavam? De qual deus falavam?
Não era simplesmente uma mesa? Aliás, uma mesa, nem quadrada, nem redonda , cor indefinida, surda e muda... Em sua volta - volta?
E as retas, onde ficavam ou aonde iam? - , em torno, só olhares. E ela desconhecia o passado que pertencia a tantos outros e não a ela mesma, que nada compreendia de verdade.
Pretensões e expectativas de compactar, mas não compactuar por não serem suas, amores e qualidades de irmãos e pais. Perfeição de união que nem esperava atingir e ninguém perguntou se assim queria. Só exigências.
Branquinha não era elo.
Branquinha era apenas ela mesma e, por isso, foi levada para longe a observar o mar, cujas ondas vão e vêm, sem nunca serem as mesmas.
Então, no movimento de todos, como as ondas do mar, pelo testemunho de todos e tudo, Branquinha tornou-se ela e, paradoxalmente, confundiu-se com um pouco de cada um.
Bela, se assim nascera; graciosa e cheirosa porque a fluidez é necessária; feminista e acreditando-se justa, quando convinha; poeta e inteligente, pois que do contrário, ninguém sentaria ao seu redor; bem amada, para dar sentido à sua existência.
Tudo, como um rio, desaguando na água da pretensão, criativa e esperançosa da conciliação. Dos outros.
Responsável demais, essa Branquinha, que não passava de mesa de mármore !
Mármore muito duro, mas que, num certo tempo, rachou-se.
Agora, lá, olhando o mar e respirando a maresia, Branquinha acredita-se o regaço e até fala como se assim o fosse.
É mais sincero este espelho. Sente-se gentil, como a bruma, inocente e dócil, como o entardecer de verão. Calma, de olhos fechados (mesa tem olhos?), aguardando a brisa à beira-mar...
Política, já que as discussões inúteis levam ao nada. À espera da pureza de coração que, certa e maternalmente, poderá atingir se continuar a contemplar o mar, sentir a brisa e ouvir o burburinho das folhas na montanha que a levam, sabe Deus, aonde...
Tão confundida é Branquinha que vê o reflexo daquilo que talvez nem seja ela ou dela.
Tão precisa e firme é Branquinha. Quem sabe, seu espelho mostre o que todos nela queiram mirar.
Ela, de frente para o mar, apenas reflete, enquanto a bruma envolve seus pés de ferro, pintados de branco, fincados no chão desconhecido.
sábado, 8 de agosto de 2009
Mesa da cozinha – Ou BRANQUINHA - I
O regaço
Tão branquinha e tão rachada... E não faz tanto tempo. Ou faz ?
Seria “o regaço de todos. A mais inocente e dócil, calma, sábia, política”. Política sábia? Sábia política. Bem aventurados os pobres de coração porque verão a Deus.”? Quem disse isso ?
Algum hyppie , certamente. Cheio de flores e corações, cantando mantras indianos.
Não era tão assim.
Nem tudo que é tão branquinho e tão rachado é também tão cheio de histórias. Histórias rachadas ou completas.
Ou então, nem tudo que é tão branquinho quer ter tanta história assim. Ao menos para contar. Porém, a mesa é testemunha. Testemunha histórica, diriam hoje, com arquivos a serem abertos.
Falam as madrugadas. Quase três ou quatro horas da manhã. Só mulheres numa só época.
Só mulheres?
Não, só garotas-meninas: “My sweet Lord”, “Yellow River”, “Hey Jude”.
E Chico, o Buarque de Holanda (“quero ficar no seu corpo feito tatuagem...” Quem já me falou assim? Quantos.....). Oras, me esqueci do Roberto. Aquele do ciclo de Robertos. O grande Roberto. O Carlos. Tão grande que vários outros “Robertos” apareciam para cantar todas as “Emoções” e/ou os “Detalhes”. Uns trouxeram o “Café da Manhã”, outros falaram sobre o côncavo e o convexo... Eu passei pela estrada de Santos, onde nasci e, quem sabe, me encontrei no regaço de todos.
“Quando você se separou de mim, quase que a minha vida teve fim...” “Eu voltei, voltei para ficar, porque aqui, aqui é meu lugar”. Propostas. Caetano. Rock progressivo, Pink Floyd, Santana, James Taylor (“When you’re down and troubled, and you need a helping hand... just call me: you’ve got a friend...”).
E o sexo... na cozinha. No granito, ou mármore, branco ou cinza (que importa?) rachado. Quem diria, não? A mais inocente e dócil. Será que por isso mesmo não discernia o mármore do granito, o cinza do branco, o inteiro do rachado, a mesa da cama.
Ninguém sabe, mas nos 70, ( os anos),acontecia strip-tease. Tinha whisky falsificado em cima da mesa: misturavam-se amigos, primos capixabas, sobrinhos. Baita festa à noite, o whisky bom escondido atrás do filtro. Whisky bom??? Só rindo. Sorrindo. Seringas para a mistura (da bebida, que fique claro!) e rola bebida....que não passava de água.
E pai achando graça, afinal, não fazia mal a ninguém. Nem a bebida nem o pai.
Só Branquinha, a tal mesa da cozinha, sabia que tudo então não passava de farsa: a bebida, os amigos, os lugares frequentados, a conversa com irmãos. Tudo era hipocrisia e repressão.
Menos o pai e a mãe, que só eram pai e mãe. E tudo isso bastava. Pra quê mais?
Ela, Branquinha, rachada desde então, só observava (testemunhava). Sim, porque naquela época, falar não era oportuno ou, no mínimo, falar era porta (e não mesa) aberta para muitas perguntas e fechada para todas as respostas. Ninguém queria ser porta ou mesa.
E assim, foi tudo que aconteceu à sua volta: cada adjetivo, cada substantivo, cada advérbio e, principalmente, cada verbo era totalmente vigiado e analisado parcialmente.
Ai de quem falasse ou se expressasse. O verbo não podia existir.
Principalmente, ai de quem falasse ou se expressasse de modo honesto.
Pensando bem, verbo e advérbio não podiam conviver, muito menos coexistir naquele tempo. Tudo podia ser mal interpretado.
Até Branquinha tinha de ter uma cor neutra e só podia testemunhar. Tinha de ser cinza.
E nem se sabe se havia programa de proteção às testemunhas... Branquinha cinzenta.
De preferência e pensando bem, Branquinha e todos tinham de ter cor neutra. Nem cinza, nem branco, como convinha, pois nunca, ninguém enxergou definida a cor do outro.
Era questão de enxergar e não de falar. Daí que a Miopia predominava.
Branquinha, se falasse, diria: ”- Não opino, não vejo, não sinto .. Só testemunho.Um dia, alguém fala sobre isso.” E nem se sabe se havia programa de proteção às testemunhas...
Ainda bem. Sorte nossa que só queríamos ouvir Beatles, Rolling Stones, Chico, Caetano e, claro, Roberto (o Carlos). Este último, ouvíamos sem confessar, já que era menos, muito menor aos olhos e ouvidos dos ”míopes superiores”.
Em volta da Branquinha, infeliz daquele que demonstrasse qualquer “ai” honesto. Ninguém sabia o que viria depois, ou se havia alguém com ouvidos (“juris et de jure”).
E ninguém discutia. Sem programa de proteção à testemunha!
O SNI!
Vai saber qual seria a interpretação dos atos e das falas, mesmo que fossem tão juvenis.
Mesmo que o primeiro “ai” fosse de prazer, de simples delícia de amor. Carinho de namoro que o irmão mais velho, aquele do “carisma do pai, bem amado e perspicaz, belo e imparcial”, poderia flagrar. “Cana nela ( e não, “canela”)!
Branquinha, certamente, esqueceria que tinha de ser cinza e ficaria vermelha de raiva, de vergonha, cor de canela antes da queima. Só que ela era mesmo cinza e não havia programa de proteção à testemunha.
Era a repressão por todos os cantos. Da casa, da porta, da sala, da cozinha, da mesa, das pessoas.
“Cada qual com seu jeito. Cada qual com sua maneira de ser “, pensaria Branquinha, se pensasse. Ou falaria, se falasse.
Não era o caso.
Para nosso desespero, nem falava, nem pensava. Nem poderia.
Naquele tempo, ninguém podia pensar, achar alguma coisa, quanto mais falar.
Mas, todo mundo fazia. Porque tudo era novo e jovem e, sendo assim, tudo pode.
Não fosse a imaginação poética dos mais velhos, Branquinha, na realidade, só testemunhava. Não falava, não pensava. Apenas via e via muito.
Que merda... Não havia programa de proteção à testemunha!
E, ainda bem que só via. Mais que isso: testemunhava, apesar da falta de proteção.
As sensações e os sentimentos não eram seus, mas dos outros: donos, filhos, netos sobrinhos, tios, amigos, que sentiam, pensavam, transferiam e, principalmente, pensavam, por ela. Ela mesma, não queria nada disso. Ela não tinha querer.
Não passava de uma mesa. Era testemunha sem programa de proteção, presenciou, deixou que se sentassem à sua volta, mas nunca foi uma porta. Jamais abriu, para que o vento carregasse o que estivesse no caminho ou se fechou, para impedir que novos fluidos viessem.
Os tempos passaram. O tempo passou também.
Não foram permitidas à mais gentil das pessoas as manifestações, pois sendo ela, a gentil, o regaço, inocente, dócil, sábia e política, à Branquinha só lhe restou esperar que ficasse em sua casa. Não aconteceu. Como não aconteceram muitas outras esperanças que queria em sua casa. Pai e Mãe especial e principalmente.
Orações simples (a Deus) conectadas por conjunções, adjetivadas, adverbiadas, complementadas nominal ou verbalmente. Adoradas como deuses e para sempre oradas. Pretéritos perfeitos de uma vida Branca, em mármore, em granito. Rachadas para dividir amor em seis. Conta dos filhos. Acinzentadas pela mistura do negro e do branco à beira-mar, ilustradas ao fundo pelo lindo verde-mar-campo. Testemunhando outros ais, outras músicas, ares, pessoas, repressões ou não.
Agora, nem precisa do programa de proteção à testemunha. O tempo a libertou desse fardo, deixou-a como sempre deveria ter sido. Mesa.
Bem que Branquinha merecia essa liberdade de ser e estar!
Nada disso importa. Renovaram-se portas, cadeiras, paredes, relógios, camas, TVs, travesseiros e até mesas. Mas, nunca se renovou a Branquinha. Que nem era tão branca assim, que nem era tão cinza assim, que nem era tão rachada assim, que nem testemunhou tanta coisa assim. Que nem precisava de programa de proteção às testemunhas.
E, de casa em casa, de canto em canto, procura-se “A Branquinha”.
Ninguém, ao que se saiba, consegue encontrá-la. Fala-se apenas sobre ela, sobre seus sentimentos que nunca existiram, sobre os fatos que nunca testemunhou de verdade, sobre sua cor indefinida, sobre seu racho.
Como os sentimentos e narrativas dos evangelistas, profetas. Todos sabem que houve, embora ninguém saiba a verdade e se todos sentiram do mesmo modo.
Os evangelistas e os profetas, assim como os artistas, nunca foram protegidos por programas... Nunca testemunharam nada. Nem Branquinha.
O regaço
Tão branquinha e tão rachada... E não faz tanto tempo. Ou faz ?
Seria “o regaço de todos. A mais inocente e dócil, calma, sábia, política”. Política sábia? Sábia política. Bem aventurados os pobres de coração porque verão a Deus.”? Quem disse isso ?
Algum hyppie , certamente. Cheio de flores e corações, cantando mantras indianos.
Não era tão assim.
Nem tudo que é tão branquinho e tão rachado é também tão cheio de histórias. Histórias rachadas ou completas.
Ou então, nem tudo que é tão branquinho quer ter tanta história assim. Ao menos para contar. Porém, a mesa é testemunha. Testemunha histórica, diriam hoje, com arquivos a serem abertos.
Falam as madrugadas. Quase três ou quatro horas da manhã. Só mulheres numa só época.
Só mulheres?
Não, só garotas-meninas: “My sweet Lord”, “Yellow River”, “Hey Jude”.
E Chico, o Buarque de Holanda (“quero ficar no seu corpo feito tatuagem...” Quem já me falou assim? Quantos.....). Oras, me esqueci do Roberto. Aquele do ciclo de Robertos. O grande Roberto. O Carlos. Tão grande que vários outros “Robertos” apareciam para cantar todas as “Emoções” e/ou os “Detalhes”. Uns trouxeram o “Café da Manhã”, outros falaram sobre o côncavo e o convexo... Eu passei pela estrada de Santos, onde nasci e, quem sabe, me encontrei no regaço de todos.
“Quando você se separou de mim, quase que a minha vida teve fim...” “Eu voltei, voltei para ficar, porque aqui, aqui é meu lugar”. Propostas. Caetano. Rock progressivo, Pink Floyd, Santana, James Taylor (“When you’re down and troubled, and you need a helping hand... just call me: you’ve got a friend...”).
E o sexo... na cozinha. No granito, ou mármore, branco ou cinza (que importa?) rachado. Quem diria, não? A mais inocente e dócil. Será que por isso mesmo não discernia o mármore do granito, o cinza do branco, o inteiro do rachado, a mesa da cama.
Ninguém sabe, mas nos 70, ( os anos),acontecia strip-tease. Tinha whisky falsificado em cima da mesa: misturavam-se amigos, primos capixabas, sobrinhos. Baita festa à noite, o whisky bom escondido atrás do filtro. Whisky bom??? Só rindo. Sorrindo. Seringas para a mistura (da bebida, que fique claro!) e rola bebida....que não passava de água.
E pai achando graça, afinal, não fazia mal a ninguém. Nem a bebida nem o pai.
Só Branquinha, a tal mesa da cozinha, sabia que tudo então não passava de farsa: a bebida, os amigos, os lugares frequentados, a conversa com irmãos. Tudo era hipocrisia e repressão.
Menos o pai e a mãe, que só eram pai e mãe. E tudo isso bastava. Pra quê mais?
Ela, Branquinha, rachada desde então, só observava (testemunhava). Sim, porque naquela época, falar não era oportuno ou, no mínimo, falar era porta (e não mesa) aberta para muitas perguntas e fechada para todas as respostas. Ninguém queria ser porta ou mesa.
E assim, foi tudo que aconteceu à sua volta: cada adjetivo, cada substantivo, cada advérbio e, principalmente, cada verbo era totalmente vigiado e analisado parcialmente.
Ai de quem falasse ou se expressasse. O verbo não podia existir.
Principalmente, ai de quem falasse ou se expressasse de modo honesto.
Pensando bem, verbo e advérbio não podiam conviver, muito menos coexistir naquele tempo. Tudo podia ser mal interpretado.
Até Branquinha tinha de ter uma cor neutra e só podia testemunhar. Tinha de ser cinza.
E nem se sabe se havia programa de proteção às testemunhas... Branquinha cinzenta.
De preferência e pensando bem, Branquinha e todos tinham de ter cor neutra. Nem cinza, nem branco, como convinha, pois nunca, ninguém enxergou definida a cor do outro.
Era questão de enxergar e não de falar. Daí que a Miopia predominava.
Branquinha, se falasse, diria: ”- Não opino, não vejo, não sinto .. Só testemunho.Um dia, alguém fala sobre isso.” E nem se sabe se havia programa de proteção às testemunhas...
Ainda bem. Sorte nossa que só queríamos ouvir Beatles, Rolling Stones, Chico, Caetano e, claro, Roberto (o Carlos). Este último, ouvíamos sem confessar, já que era menos, muito menor aos olhos e ouvidos dos ”míopes superiores”.
Em volta da Branquinha, infeliz daquele que demonstrasse qualquer “ai” honesto. Ninguém sabia o que viria depois, ou se havia alguém com ouvidos (“juris et de jure”).
E ninguém discutia. Sem programa de proteção à testemunha!
O SNI!
Vai saber qual seria a interpretação dos atos e das falas, mesmo que fossem tão juvenis.
Mesmo que o primeiro “ai” fosse de prazer, de simples delícia de amor. Carinho de namoro que o irmão mais velho, aquele do “carisma do pai, bem amado e perspicaz, belo e imparcial”, poderia flagrar. “Cana nela ( e não, “canela”)!
Branquinha, certamente, esqueceria que tinha de ser cinza e ficaria vermelha de raiva, de vergonha, cor de canela antes da queima. Só que ela era mesmo cinza e não havia programa de proteção à testemunha.
Era a repressão por todos os cantos. Da casa, da porta, da sala, da cozinha, da mesa, das pessoas.
“Cada qual com seu jeito. Cada qual com sua maneira de ser “, pensaria Branquinha, se pensasse. Ou falaria, se falasse.
Não era o caso.
Para nosso desespero, nem falava, nem pensava. Nem poderia.
Naquele tempo, ninguém podia pensar, achar alguma coisa, quanto mais falar.
Mas, todo mundo fazia. Porque tudo era novo e jovem e, sendo assim, tudo pode.
Não fosse a imaginação poética dos mais velhos, Branquinha, na realidade, só testemunhava. Não falava, não pensava. Apenas via e via muito.
Que merda... Não havia programa de proteção à testemunha!
E, ainda bem que só via. Mais que isso: testemunhava, apesar da falta de proteção.
As sensações e os sentimentos não eram seus, mas dos outros: donos, filhos, netos sobrinhos, tios, amigos, que sentiam, pensavam, transferiam e, principalmente, pensavam, por ela. Ela mesma, não queria nada disso. Ela não tinha querer.
Não passava de uma mesa. Era testemunha sem programa de proteção, presenciou, deixou que se sentassem à sua volta, mas nunca foi uma porta. Jamais abriu, para que o vento carregasse o que estivesse no caminho ou se fechou, para impedir que novos fluidos viessem.
Os tempos passaram. O tempo passou também.
Não foram permitidas à mais gentil das pessoas as manifestações, pois sendo ela, a gentil, o regaço, inocente, dócil, sábia e política, à Branquinha só lhe restou esperar que ficasse em sua casa. Não aconteceu. Como não aconteceram muitas outras esperanças que queria em sua casa. Pai e Mãe especial e principalmente.
Orações simples (a Deus) conectadas por conjunções, adjetivadas, adverbiadas, complementadas nominal ou verbalmente. Adoradas como deuses e para sempre oradas. Pretéritos perfeitos de uma vida Branca, em mármore, em granito. Rachadas para dividir amor em seis. Conta dos filhos. Acinzentadas pela mistura do negro e do branco à beira-mar, ilustradas ao fundo pelo lindo verde-mar-campo. Testemunhando outros ais, outras músicas, ares, pessoas, repressões ou não.
Agora, nem precisa do programa de proteção à testemunha. O tempo a libertou desse fardo, deixou-a como sempre deveria ter sido. Mesa.
Bem que Branquinha merecia essa liberdade de ser e estar!
Nada disso importa. Renovaram-se portas, cadeiras, paredes, relógios, camas, TVs, travesseiros e até mesas. Mas, nunca se renovou a Branquinha. Que nem era tão branca assim, que nem era tão cinza assim, que nem era tão rachada assim, que nem testemunhou tanta coisa assim. Que nem precisava de programa de proteção às testemunhas.
E, de casa em casa, de canto em canto, procura-se “A Branquinha”.
Ninguém, ao que se saiba, consegue encontrá-la. Fala-se apenas sobre ela, sobre seus sentimentos que nunca existiram, sobre os fatos que nunca testemunhou de verdade, sobre sua cor indefinida, sobre seu racho.
Como os sentimentos e narrativas dos evangelistas, profetas. Todos sabem que houve, embora ninguém saiba a verdade e se todos sentiram do mesmo modo.
Os evangelistas e os profetas, assim como os artistas, nunca foram protegidos por programas... Nunca testemunharam nada. Nem Branquinha.
Com permissão implícita da autora para deixar este registro lindo:
"Sentinela
Quem fala de amor na cidade ?
Quem fala de amor nessa idade?
Quem fala de amor ?
É quem ama nessa idade,
É quem ama nas esquinas da cidade,
É quem desconhecia o amor até então,
Invasor, não convidado, habitante das esquinas da cidade, que fala de amor.
Não há idade: o tempo é mero marcador dos espaços que duram as coisas banais
Os atos banais e diários, despidos de significado,
Quando ausente o amor.
Nessa idade, a cidade tem muros altos, altas torres
Fossos profundos, marcados, escavados pelos atos banais.
Defesas ferozes, batalhas inglórias, vitórias vazias.
Do alto das torres, vem o grito: sempre alerta, sentinela !
Olhe para longe, muito longe,
A poeira no horizonte indica a chegada o invasor.
Nada vale, nada vela o sono sem sonhos da sentinela, na noite ausente de amor."
"Sentinela
Quem fala de amor na cidade ?
Quem fala de amor nessa idade?
Quem fala de amor ?
É quem ama nessa idade,
É quem ama nas esquinas da cidade,
É quem desconhecia o amor até então,
Invasor, não convidado, habitante das esquinas da cidade, que fala de amor.
Não há idade: o tempo é mero marcador dos espaços que duram as coisas banais
Os atos banais e diários, despidos de significado,
Quando ausente o amor.
Nessa idade, a cidade tem muros altos, altas torres
Fossos profundos, marcados, escavados pelos atos banais.
Defesas ferozes, batalhas inglórias, vitórias vazias.
Do alto das torres, vem o grito: sempre alerta, sentinela !
Olhe para longe, muito longe,
A poeira no horizonte indica a chegada o invasor.
Nada vale, nada vela o sono sem sonhos da sentinela, na noite ausente de amor."
25 de novembro de 2007
CRÔNICA DO DIA SEGUINTE.
Um dia seguinte que era o mesmo dia e quase que o mesmo ano, a mesma época. Depois de 30 anos, quase os mesmos anos.
Eram quase, certamente.
Festa à qual foram os que aderiram e os que não aderiram. Os que foram não foram ou se foram.
E ela, foi muito bonita! A Festa.
A IDA
(não, não é a ópera. Os que me conhecem sabem o que ópera significa na minha vida. Origem italiana e cearense, claro).
Eu, para meu marido: “Roberto, me desculpe por antecipação, mas VOU ME DIVERTIR!”
(PARÊTESES)
Ele, sempre educado (ah, como os homens, de todas as idades e gerações, deveriam saber que nós, mulheres, gostamos de delicadezas masculinas. Sim, porque de delicadezas, todos gostamos, mas as masculinas parecem escassas, embora nossa/minha geração tenha feito esforços para mudar isso).
Enfim, ele falou: “Ana, a festa é sua. Sabe o que são 30 anos de São Francisco?”
Infelizmente eu e uma turma grande, grande turma atrás de mim, sabemos. E ele é engenheiro da FEI!!!
Continuando: “Então, divirta-se, a festa é sua e eu tomo conta de você!”
E, assim, nada como uma mulher se sentir muito, mas, muito segura de si, para simplesmente se divertir e matar saudade de pessoas queridas, ou matar saudade do tempo.
Melhor, matar o tempo com a saudade!
DITADO
Tem um ditado chinês que diz: “Nunca volte ao lugar onde você foi feliz.”
Sempre pensei muito a respeito. Por que não deveria voltar ao tal lugar se, lá, fui feliz?
Pois bem, tentei fazer isso na casa onde morei com meus pais, irmãos, sobrinnhos, filhos, primos, tios. Não consegui. Ficava triste. Nostálgica. Então, deixei pra lá e adotei o ditado chinês, sem entender muito bem o significado.
E ainda hoje sou resistente a voltar ao lugar da felicidade.
SUPERAÇÃO
Quando soube que tinha havido um cisma na comissão de formatura original (Cecília de Franco, você fez falta. E muita!), fiquei insegura. Mais uma vez, para os que me conhecem mesmo e não compram minha aparência, eu ficar insegura é normal. Apesar disso, havia as reuniões de pizzas na Marguerita que, modéstia às favas, Lizete (a Aurélia), Pia (a Margarida), Ré e Rê (Dayeh e Colagrossi), Bambam (a Teresa Banzato, grande descoberta!) e Soninha Podboy fazíamos, comíamos, para reencontro feminino. Algumas vezes e vezes estas sempre importantes, Marilena Cassebíssima e Marina.
Aos poucos, os homens, MUITO INVEJOSOS, aderiram aos nossos encontros.
REENCONTROS
E foi assim que meu ex-marido, Beto Mello, hoje, grande e bom amigo, além de excelente pai, etc,etc, sabendo dessas reuniões, entendeu por bem juntar-se a nós. Muito metido, ele.
Entretanto, para não ir sozinho, convocou outros homens.
Mais um parêntese: nunca gostei muito de turmas, apesar de compreender que elas, as turmas, dão força às atitudes.
Quem tiver ouvidos para entender, que entenda.
OS HOMENS
Seguindo esse passo, juntaram-se a nós: Caio, o Grande (casado com a bravíssima e urtiguíssima Iria. Sempre bonita e brigadora. Do bem e da turminha feminista.).
Maurício, intelectual, setentista (ou seja, anos 70), colega e amigo, mesmo signo, dia e ano em que nasci. Jamais poderei mentir a ele minha idade. Não que seja minha intenção, mas, nem que fosse, não poderia. Casado com a Cecília, linda e tão brava quanto minha fama, aquela de brava, como a da Iria.
Não é de 77, ela, Cecília, mas é da nossa turma.
Erasmo de Boeur. Nome muito difícil de escrever, de falar e, assim como o nome, pessoa difícil de compreender. Não é mais. É só um coração grande e bobo, no bom sentido. Na lista das “meninas”, há 30 anos ou mais, estava como um dos mais charmosos da turma. É para ficar envaidecido, mas, só isso.
Fora os homens da Comissão, vêm a seguir: Silas, o caipira, o super, hiper machão dos mais delicados que já conheci na minha vida e com quem minha e de todos boa amiga, Ré, teve a ventura (não encontrei outra palavra) de se casar. Não me lembro de nenhum chope (chops, pra paulista da gema) na Praça Panamericana, situação pela qual ele me responsabiliza, até hoje, por chegar atrasado no dia de pedir a mão da amada em casamento. Sorry. Se isso for verdade, valeu a pena e vou seguir tomando muitos e muitos chopes (chops) na minha vida, para que outros corações apaixonados se encontrem ! Grata responsabilidade. Dessas, quero sempre!
Joaquim, meu maior amigo! Quanta saudade e quanta ausência. Ninguém de nós suporta ficar sem você. Precisamos de quem nos fale de coisas sensíveis, com declarações de carinho. Memória afetiva e verdadeiro sensor de família carinhosa. Sensibilidade, quem sabe, esteja fora de moda. Não é verdade para os que se querem bem e sentem saudade!
Élcio e James Taylor no violão: “You1ve got a friend”. E eu digo: for ever and ever. Qualquer country é a sua cara.
Por aí vai. Renato Pimentel, eterna criança, muito querida. Não se sinta carente. Nós gostamos de você e damos apoio, quando você quiser.
Pedro Júlio. Você anda triste ou só observador, como bom capricorniano?
Joãozinho Bianco. Onde está sua guitarra? Cadê sua ironia, olhos de ressaca, qual Capitu?
Cláudio Abrão, sempre ótimo, ao menos socialmente. O primeiro “promoter” de quem tomei conta. Sempre gostou de festas, entrosamentos, coração “light” e afeição sólida, por vezes mal compreendida. Não ligue. Gostamos muito de você.
Heraldo, desembargador, casado com uma mulher que se cuida e cuida bem dele da mesma forma. Aliás, quem tem cuida.
Pedro Garcia, a primeira e talvez única pessoa que conheci, cujos ideais sociais, bem maduros, foram compatíveis com o comportamento e com o plano de vida. Coincidência ou planejamento? Espontaneidade? Crença na verdade? Destino?
Análises vãs a respeito de pessoas que são simplesmente queridas. E o “simplesmente queridas” vale mais do que qualquer análise, descrição ou pensamento à toa.
AS GRANDES MULHERES (entre outras também grandes)
Lizete. Antes de ninguém, aquela que é considerada por todos a nossa mãezona e, primeiro do que tudo, uma grande mulher. Literalmente, cuida de todos nós e nós, literalmente, vamos tomar conta dela, para sempre. A repetição é enfática e proposital.
AMXO. Alguém é capaz de decifrar ? Caramba, carambolas. Pois é ela mesmo: Ana Maria Xavier de Oliveira . Olé! Depois, acredito, Coloma. Filha de cearense, morando em Valencia. Direto do Ceará para a Espanha. Brincadeiras à parte, que tal aprender a falar Português? Mui guapa. Mui contente y compañera. Que pena que o Téo não pode vir. Vocês dois fazem parte das histórias de amor da nossa turma. Que venha “el toro”. Nós vamos matá-lo à unha.
Soninha, Marisa e Ângela. Vocês sabiam que os rapazes chamavam vocês de “fé, esperança e caridade”? Maldade pura. Excesso de observação ou falta de maturidade. Hoje, acompanhado e conhecendo um pouco da vida de vocês, diria que estão mais para “liberdade, igualdade e fraternidade.”
Regina Carrarra, que até parecia pertencer à nossa turma, sem ser extensão de ninguém, mas, especialmente, porque complementava o coração enorme e mais que valente do amigo emocionado, fora da realidade terrestre. Tanto, que se foi cedo...
Teresa e Helô, ou Helô e Teresa, As modernas até hoje. As mulheres dos anos 70. As mulheres de hoje. Modelos de mulheres modernas e modelos, cada qual no seu feitio. Meus exemplos de ser mulher. Um dia, quando eu mesma entender, esclareço a elas e a mim mesma. Vocês, Teresa e Helô, têm algum quê de coisa de mulher antiga, antes dos anos 50, avançadas para aquela época e muito modernas para a nossa. Fascinante. Quando escrever um livro, vocês serão ponto de partida feminina e feminista.
Pia Margarida Pacciello. Caderno perfeito de todos nós. Quem copiou o exemplo sabe do que falo. Conte conosco, Pia! Você é mais forte do que tudo. Não nos decepcione, por favor. Mantenha sua autenticidade. E não se esqueça de que o coração daqueles que lhe querem bem é enorme para que você caiba dentro deles.
Rita, que não levou o coração de ninguém. Só segurou com força o coração do Élcio. Um sem o outro seria estranho. Mas deixou seu coração, o dela Rita e o do Élcio, para nós compartilharmos, sem egoísmo. Próprio dos caipiras.
Cristina Tomás (é assim que se escreve?), valente e mulher. Você diz que começou a advogar há 7 anos? Vitória para você. Os filhos são o máximo e nós, mulheres-mães, também somos.
Marilena Casseb (Cassebíssima), educada com todos, circulando bem em todos os guetos e delicada sempre com os amigos. Lembradíssima sempre.
Ana Lúcia, minha xará, linda “as always”, meu trauma no exame da ordem (OAB). Quem mandou eu ser chamada logo depois dela no exame oral? Entrei bem.Elogios mil, só poderia ser das Arcadas. Ela, é claro. Em seguida, vim eu. Nem conto... Quem me conhece bem, sabe o que passei. Faz tempo e nada é por acaso.
CARINHOS
Cristiano Kuntz, Luiz Monforte, Feiez sumiram, mas valeu quando aparecerem..
Damião, Geraldo Vidigal, Paulo Boca, Paulinho Realidade. E falo apenas dos que se sentaram perto de mim, naquela festa dos 30, dos que, ainda sem muito grau etílico, meu e deles, vieram falar comigo. A idade, a emoção e o uísque (bom, diga-se) provocam contravenções nas pessoas. As penas para cada um é que variam. Ainda bem que, entre nós, respeita-se a individualidade.
Toni e Jorginho (beijo na Luisa), dos encontros casuais na Camelo.
E à antiga Comissão de Formatura, assim mesmo, com maiúsculas, nosso enorme “OBRIGADOS”. Sem vocês, as coisas ficariam mais difíceis, já que conseguiram preservar durante 30 anos o mais importante: a vontade do reencontro.
O BAILE
Muitos chegaram mais tarde do que eu e, então, a festa estava rolando solta, compromissados, nós todos, apenas com a saudade e com a alegria, dançamos muito. Bom som, fotos antigas atualíssimas.
Fotos à fantasia. Todas as fotos eram, são e continuarão sendo fantasias que duram pela eternidade.
E, por falar em eterno.
Eterno baile.
E foi para isso que a Nova Comissão, assim mesmo, com maiúsculas, trabalhou a valer. Deu certo. Deu muito certo. Parabéns, para jamais desistir.
No começo era Pizza e, a julgar pelo nosso país, assim deveria acabar, mas, no fim, tudo terminou em um grande, muito grande BAILE.
Assim sendo, concluo que TUDO ACABA NUM GRANDE BAILE, Tim Maia tocando na vitrola.
Ninguém quer dinheiro, só quer amar, quer amar, quer amar.
Quer amor sincero e é isso que espero em todos os próximos BAILES.
O DITADO
O ditado chinês diz que não devemos voltar ao lugar onde fomos felizes.
Será? Qual é exatamente esse lugar?
O espaço físico, o coração, a memória?
Por que não podemos recriar lugares felizes nos mesmos lugares?
CRÔNICA DO DIA SEGUINTE.
Um dia seguinte que era o mesmo dia e quase que o mesmo ano, a mesma época. Depois de 30 anos, quase os mesmos anos.
Eram quase, certamente.
Festa à qual foram os que aderiram e os que não aderiram. Os que foram não foram ou se foram.
E ela, foi muito bonita! A Festa.
A IDA
(não, não é a ópera. Os que me conhecem sabem o que ópera significa na minha vida. Origem italiana e cearense, claro).
Eu, para meu marido: “Roberto, me desculpe por antecipação, mas VOU ME DIVERTIR!”
(PARÊTESES)
Ele, sempre educado (ah, como os homens, de todas as idades e gerações, deveriam saber que nós, mulheres, gostamos de delicadezas masculinas. Sim, porque de delicadezas, todos gostamos, mas as masculinas parecem escassas, embora nossa/minha geração tenha feito esforços para mudar isso).
Enfim, ele falou: “Ana, a festa é sua. Sabe o que são 30 anos de São Francisco?”
Infelizmente eu e uma turma grande, grande turma atrás de mim, sabemos. E ele é engenheiro da FEI!!!
Continuando: “Então, divirta-se, a festa é sua e eu tomo conta de você!”
E, assim, nada como uma mulher se sentir muito, mas, muito segura de si, para simplesmente se divertir e matar saudade de pessoas queridas, ou matar saudade do tempo.
Melhor, matar o tempo com a saudade!
DITADO
Tem um ditado chinês que diz: “Nunca volte ao lugar onde você foi feliz.”
Sempre pensei muito a respeito. Por que não deveria voltar ao tal lugar se, lá, fui feliz?
Pois bem, tentei fazer isso na casa onde morei com meus pais, irmãos, sobrinnhos, filhos, primos, tios. Não consegui. Ficava triste. Nostálgica. Então, deixei pra lá e adotei o ditado chinês, sem entender muito bem o significado.
E ainda hoje sou resistente a voltar ao lugar da felicidade.
SUPERAÇÃO
Quando soube que tinha havido um cisma na comissão de formatura original (Cecília de Franco, você fez falta. E muita!), fiquei insegura. Mais uma vez, para os que me conhecem mesmo e não compram minha aparência, eu ficar insegura é normal. Apesar disso, havia as reuniões de pizzas na Marguerita que, modéstia às favas, Lizete (a Aurélia), Pia (a Margarida), Ré e Rê (Dayeh e Colagrossi), Bambam (a Teresa Banzato, grande descoberta!) e Soninha Podboy fazíamos, comíamos, para reencontro feminino. Algumas vezes e vezes estas sempre importantes, Marilena Cassebíssima e Marina.
Aos poucos, os homens, MUITO INVEJOSOS, aderiram aos nossos encontros.
REENCONTROS
E foi assim que meu ex-marido, Beto Mello, hoje, grande e bom amigo, além de excelente pai, etc,etc, sabendo dessas reuniões, entendeu por bem juntar-se a nós. Muito metido, ele.
Entretanto, para não ir sozinho, convocou outros homens.
Mais um parêntese: nunca gostei muito de turmas, apesar de compreender que elas, as turmas, dão força às atitudes.
Quem tiver ouvidos para entender, que entenda.
OS HOMENS
Seguindo esse passo, juntaram-se a nós: Caio, o Grande (casado com a bravíssima e urtiguíssima Iria. Sempre bonita e brigadora. Do bem e da turminha feminista.).
Maurício, intelectual, setentista (ou seja, anos 70), colega e amigo, mesmo signo, dia e ano em que nasci. Jamais poderei mentir a ele minha idade. Não que seja minha intenção, mas, nem que fosse, não poderia. Casado com a Cecília, linda e tão brava quanto minha fama, aquela de brava, como a da Iria.
Não é de 77, ela, Cecília, mas é da nossa turma.
Erasmo de Boeur. Nome muito difícil de escrever, de falar e, assim como o nome, pessoa difícil de compreender. Não é mais. É só um coração grande e bobo, no bom sentido. Na lista das “meninas”, há 30 anos ou mais, estava como um dos mais charmosos da turma. É para ficar envaidecido, mas, só isso.
Fora os homens da Comissão, vêm a seguir: Silas, o caipira, o super, hiper machão dos mais delicados que já conheci na minha vida e com quem minha e de todos boa amiga, Ré, teve a ventura (não encontrei outra palavra) de se casar. Não me lembro de nenhum chope (chops, pra paulista da gema) na Praça Panamericana, situação pela qual ele me responsabiliza, até hoje, por chegar atrasado no dia de pedir a mão da amada em casamento. Sorry. Se isso for verdade, valeu a pena e vou seguir tomando muitos e muitos chopes (chops) na minha vida, para que outros corações apaixonados se encontrem ! Grata responsabilidade. Dessas, quero sempre!
Joaquim, meu maior amigo! Quanta saudade e quanta ausência. Ninguém de nós suporta ficar sem você. Precisamos de quem nos fale de coisas sensíveis, com declarações de carinho. Memória afetiva e verdadeiro sensor de família carinhosa. Sensibilidade, quem sabe, esteja fora de moda. Não é verdade para os que se querem bem e sentem saudade!
Élcio e James Taylor no violão: “You1ve got a friend”. E eu digo: for ever and ever. Qualquer country é a sua cara.
Por aí vai. Renato Pimentel, eterna criança, muito querida. Não se sinta carente. Nós gostamos de você e damos apoio, quando você quiser.
Pedro Júlio. Você anda triste ou só observador, como bom capricorniano?
Joãozinho Bianco. Onde está sua guitarra? Cadê sua ironia, olhos de ressaca, qual Capitu?
Cláudio Abrão, sempre ótimo, ao menos socialmente. O primeiro “promoter” de quem tomei conta. Sempre gostou de festas, entrosamentos, coração “light” e afeição sólida, por vezes mal compreendida. Não ligue. Gostamos muito de você.
Heraldo, desembargador, casado com uma mulher que se cuida e cuida bem dele da mesma forma. Aliás, quem tem cuida.
Pedro Garcia, a primeira e talvez única pessoa que conheci, cujos ideais sociais, bem maduros, foram compatíveis com o comportamento e com o plano de vida. Coincidência ou planejamento? Espontaneidade? Crença na verdade? Destino?
Análises vãs a respeito de pessoas que são simplesmente queridas. E o “simplesmente queridas” vale mais do que qualquer análise, descrição ou pensamento à toa.
AS GRANDES MULHERES (entre outras também grandes)
Lizete. Antes de ninguém, aquela que é considerada por todos a nossa mãezona e, primeiro do que tudo, uma grande mulher. Literalmente, cuida de todos nós e nós, literalmente, vamos tomar conta dela, para sempre. A repetição é enfática e proposital.
AMXO. Alguém é capaz de decifrar ? Caramba, carambolas. Pois é ela mesmo: Ana Maria Xavier de Oliveira . Olé! Depois, acredito, Coloma. Filha de cearense, morando em Valencia. Direto do Ceará para a Espanha. Brincadeiras à parte, que tal aprender a falar Português? Mui guapa. Mui contente y compañera. Que pena que o Téo não pode vir. Vocês dois fazem parte das histórias de amor da nossa turma. Que venha “el toro”. Nós vamos matá-lo à unha.
Soninha, Marisa e Ângela. Vocês sabiam que os rapazes chamavam vocês de “fé, esperança e caridade”? Maldade pura. Excesso de observação ou falta de maturidade. Hoje, acompanhado e conhecendo um pouco da vida de vocês, diria que estão mais para “liberdade, igualdade e fraternidade.”
Regina Carrarra, que até parecia pertencer à nossa turma, sem ser extensão de ninguém, mas, especialmente, porque complementava o coração enorme e mais que valente do amigo emocionado, fora da realidade terrestre. Tanto, que se foi cedo...
Teresa e Helô, ou Helô e Teresa, As modernas até hoje. As mulheres dos anos 70. As mulheres de hoje. Modelos de mulheres modernas e modelos, cada qual no seu feitio. Meus exemplos de ser mulher. Um dia, quando eu mesma entender, esclareço a elas e a mim mesma. Vocês, Teresa e Helô, têm algum quê de coisa de mulher antiga, antes dos anos 50, avançadas para aquela época e muito modernas para a nossa. Fascinante. Quando escrever um livro, vocês serão ponto de partida feminina e feminista.
Pia Margarida Pacciello. Caderno perfeito de todos nós. Quem copiou o exemplo sabe do que falo. Conte conosco, Pia! Você é mais forte do que tudo. Não nos decepcione, por favor. Mantenha sua autenticidade. E não se esqueça de que o coração daqueles que lhe querem bem é enorme para que você caiba dentro deles.
Rita, que não levou o coração de ninguém. Só segurou com força o coração do Élcio. Um sem o outro seria estranho. Mas deixou seu coração, o dela Rita e o do Élcio, para nós compartilharmos, sem egoísmo. Próprio dos caipiras.
Cristina Tomás (é assim que se escreve?), valente e mulher. Você diz que começou a advogar há 7 anos? Vitória para você. Os filhos são o máximo e nós, mulheres-mães, também somos.
Marilena Casseb (Cassebíssima), educada com todos, circulando bem em todos os guetos e delicada sempre com os amigos. Lembradíssima sempre.
Ana Lúcia, minha xará, linda “as always”, meu trauma no exame da ordem (OAB). Quem mandou eu ser chamada logo depois dela no exame oral? Entrei bem.Elogios mil, só poderia ser das Arcadas. Ela, é claro. Em seguida, vim eu. Nem conto... Quem me conhece bem, sabe o que passei. Faz tempo e nada é por acaso.
CARINHOS
Cristiano Kuntz, Luiz Monforte, Feiez sumiram, mas valeu quando aparecerem..
Damião, Geraldo Vidigal, Paulo Boca, Paulinho Realidade. E falo apenas dos que se sentaram perto de mim, naquela festa dos 30, dos que, ainda sem muito grau etílico, meu e deles, vieram falar comigo. A idade, a emoção e o uísque (bom, diga-se) provocam contravenções nas pessoas. As penas para cada um é que variam. Ainda bem que, entre nós, respeita-se a individualidade.
Toni e Jorginho (beijo na Luisa), dos encontros casuais na Camelo.
E à antiga Comissão de Formatura, assim mesmo, com maiúsculas, nosso enorme “OBRIGADOS”. Sem vocês, as coisas ficariam mais difíceis, já que conseguiram preservar durante 30 anos o mais importante: a vontade do reencontro.
O BAILE
Muitos chegaram mais tarde do que eu e, então, a festa estava rolando solta, compromissados, nós todos, apenas com a saudade e com a alegria, dançamos muito. Bom som, fotos antigas atualíssimas.
Fotos à fantasia. Todas as fotos eram, são e continuarão sendo fantasias que duram pela eternidade.
E, por falar em eterno.
Eterno baile.
E foi para isso que a Nova Comissão, assim mesmo, com maiúsculas, trabalhou a valer. Deu certo. Deu muito certo. Parabéns, para jamais desistir.
No começo era Pizza e, a julgar pelo nosso país, assim deveria acabar, mas, no fim, tudo terminou em um grande, muito grande BAILE.
Assim sendo, concluo que TUDO ACABA NUM GRANDE BAILE, Tim Maia tocando na vitrola.
Ninguém quer dinheiro, só quer amar, quer amar, quer amar.
Quer amor sincero e é isso que espero em todos os próximos BAILES.
O DITADO
O ditado chinês diz que não devemos voltar ao lugar onde fomos felizes.
Será? Qual é exatamente esse lugar?
O espaço físico, o coração, a memória?
Por que não podemos recriar lugares felizes nos mesmos lugares?
Antes de mais nada, obrigada ao Sérgio e sua família pelo carinho e paciência, como já disseram.
Uns gostam de imagens, fotos. Outros de aromas. Outros mais apreciam a harmonia dos sons. Há os que se inclinam para os toques. Mais alguns vão em direção dos sabores. Muitos, como eu, encantam-se com as palavras. Todos, no final, gostam das sensações. Sensações vividas que, em conjunto, transformam-se em emoções. Juntando tudo isto: fotos, presenças e acontecimentos. E ficam palavras que - minhas preferidas e eternas - transformam-se em vidas.
Aos que gostam das fotos, foram dadas as imagens. Aos que gostam dos aromas, os perfumes misturados do sábado passado. Aos que preferem os sons, um fundo musical de bom gosto, não importa o ritmo, a época... de Beatles a Pink Floyd, Santana, Genesis, Police, Chico Buarque, Roberto Carlos, B.B.King, Caetano, etc, etc, etc.............
A palavra é minha forma preferida de expressão. Os aromas, de sentir. Ver, sou suspeita pela miopia, como os impressionistas.
Daí que não criei, apenas recortei ou me impressionei pelos pedaços de nossas vidas, confessadas, desculpadas, agradecidas, expostas ou meio expostas.
Não importa. What ever!!!
Recortei e colei mesmo. Selecionei o que consegui guardar desses três ou quatro meses de depoimentos e de manifestações emocionadas ou mesmo simplesmente coloquiais. Manifestações de quem compareceu, não pode comparecer ou não quis se mostrar, ao menos por enquanto.
Até que venha o 3 de dezembro de qualquer ano, século. Por que 3 de dezembro? Sei lá...
Demonstramos que estamos vivos e que podemos compartilhar não importa o quê. Seja porque fomos, seja porque não fomos.Ainda seremos!
Minha pretensão é fazer "colagem" das emoções internáuticas, cibernética, neste período. Não tenho todos os depoimentos, mas conto com a ajuda dos que arquivaram outros depoimentos deixados antes, que foram colocados agora e dos próximos e sempre oportunos depoimentos. Quem sabe possamos fazer "aquele" livro...
Depois, quimera, a árvore e os filhos, que muitos já fizeram ou pensam que fizeram..
Nada está pronto, na verdade. Tudo está por vir!
Afinal, Pablo Neruda escreveu "Confesso que Vivi" (lindo !). E, embora não Pablos, talvez sejamos poetas de nossas vidas confessadas ou inventadsa e, como ele, o Poeta, basta-nos "recortar e colar" a sua vida, desde que seja com emoção.
Se ninguém, além de nós, ler o que escrevermos, deixamos plantadas as sensações dos toques, aromas sabores, palavras, sons...daquele sábado e de outros mais.
Filhos que não fizemos ou árvores não plantadas...
Quem se habilita ?
Beijos a todos
Uns gostam de imagens, fotos. Outros de aromas. Outros mais apreciam a harmonia dos sons. Há os que se inclinam para os toques. Mais alguns vão em direção dos sabores. Muitos, como eu, encantam-se com as palavras. Todos, no final, gostam das sensações. Sensações vividas que, em conjunto, transformam-se em emoções. Juntando tudo isto: fotos, presenças e acontecimentos. E ficam palavras que - minhas preferidas e eternas - transformam-se em vidas.
Aos que gostam das fotos, foram dadas as imagens. Aos que gostam dos aromas, os perfumes misturados do sábado passado. Aos que preferem os sons, um fundo musical de bom gosto, não importa o ritmo, a época... de Beatles a Pink Floyd, Santana, Genesis, Police, Chico Buarque, Roberto Carlos, B.B.King, Caetano, etc, etc, etc.............
A palavra é minha forma preferida de expressão. Os aromas, de sentir. Ver, sou suspeita pela miopia, como os impressionistas.
Daí que não criei, apenas recortei ou me impressionei pelos pedaços de nossas vidas, confessadas, desculpadas, agradecidas, expostas ou meio expostas.
Não importa. What ever!!!
Recortei e colei mesmo. Selecionei o que consegui guardar desses três ou quatro meses de depoimentos e de manifestações emocionadas ou mesmo simplesmente coloquiais. Manifestações de quem compareceu, não pode comparecer ou não quis se mostrar, ao menos por enquanto.
Até que venha o 3 de dezembro de qualquer ano, século. Por que 3 de dezembro? Sei lá...
Demonstramos que estamos vivos e que podemos compartilhar não importa o quê. Seja porque fomos, seja porque não fomos.Ainda seremos!
Minha pretensão é fazer "colagem" das emoções internáuticas, cibernética, neste período. Não tenho todos os depoimentos, mas conto com a ajuda dos que arquivaram outros depoimentos deixados antes, que foram colocados agora e dos próximos e sempre oportunos depoimentos. Quem sabe possamos fazer "aquele" livro...
Depois, quimera, a árvore e os filhos, que muitos já fizeram ou pensam que fizeram..
Nada está pronto, na verdade. Tudo está por vir!
Afinal, Pablo Neruda escreveu "Confesso que Vivi" (lindo !). E, embora não Pablos, talvez sejamos poetas de nossas vidas confessadas ou inventadsa e, como ele, o Poeta, basta-nos "recortar e colar" a sua vida, desde que seja com emoção.
Se ninguém, além de nós, ler o que escrevermos, deixamos plantadas as sensações dos toques, aromas sabores, palavras, sons...daquele sábado e de outros mais.
Filhos que não fizemos ou árvores não plantadas...
Quem se habilita ?
Beijos a todos
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