quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Coração Valente

Ligeiramente zonza, sua cabeça buscava compreensão do inexplicável.
Ligeiramente trêmulas, suas mãos procuravam segurar o disperso.
Um pouco míopes, seus olhos tentavam traçar impressões.
Assim como os olhos, mãos e cabeça percebiam o insustentável.
Nada era traçado.

Feliz, seu coração disrítmico,
Imperceptível às impressões, tremores e tonturas,
Simplesmente batia:
Tum, Tum-Tum, Tum...

E desse modo continuou.
Ao primeiro beijo
À primeira raiva
Ao último suspiro

Batendo sem compasso,
Esmurrando sem comparsas,
Vibrando e desfibrilando.

Tudo em sua vida era apenas coração contínuo
Que, tonto, tremia e nada segurava.
Só batia e batia: Tum-tum, Tum, Tum...
Arritmia.
.........................
Parada cardíaca.

3 comentários:

Pedretti disse...

Induvidosamente, muito bem escrito.

Tanto é verdade, que me senti ritmicamente descompassado. Aliás, já fui premiado com 3 crises de arritmia. Porém, nenhuma parada cardíaca, é obvio.

Unknown disse...

Meu descompassado coração se deliciou com essa poesia ! Mas ele continua batendo firme e forte, apesar de apanhar bastante quando arrancam um sentimento de dentro dele, e então ele se descompensa ! Socorro ....Tem tanto sentimento por aí, deve ter algum que sirva... (acho que é Arnaldo Antunes)

Ana Lúcia Carvalho disse...

SOS. Gum, Tum bate coração. "Navio que partes para longe..." Ah, coração, de apronta pra recomeçar...