Saio de casa correndo, antes que o temporal me pegue.
Rápido: botão do elevador, chegar ao térreo, ultrapassar os dois portões automáticos. Barreiras e mais barreiras.
Fui.
Atravesso a rua, passo acelerado, de tênis, chego na outra calçada.
Mais um quarteirão e a angústia das nuvens pairava sobre minha cabeça.
Chove ou não chove?
Fui.
Do outro lado, desvio-me de um bêbado que esticava a mão, pedindo uma moeda.
Todo dia a mesma coisa.
Mas o temporal vem vindo
Não, não dou nada ao bêbado, sem-teto. O dinheiro era suficiente só para o meu vício.
Na banca da esquina peço: um maço de Free, por favor.
- Sinto, não entregaram.
Fico sem saber o que fazer, as nuvens acima da cabeça, tempestade em vista e eu, de tênis.
O bêbado em frente de casa.
Tenho de voltar. Quero fumar.
Arrisco.
A padaria do quarteirão seguinte.
Vou mais depressa do que antes. Alguém na frente do caixa pagando o pãozinho. OK, pagou. Passou. E aí, amigo, tem Free?.
- Sinto, não entregaram cigarro hoje.
Desespero total.
Estou a dois quarteirões de casa e só Deus e os meteorologistas poderiam saber a quantas tempestades de minha cabeça.
E se chover, vai ser pior. Molhado e sem cigarro.
Fui!
O camelô da outra esquina que vendia os importados fajutos poderia ter cigarros.
- Sinto, Free não tem.
OK, falo desesperado, qualquer um.
- Só os sem filtro!
Pensei: é demais.
Deixei pra hoje, andei mais de dois quarteirões, a chuva, temporal continua sobre minha cabeça e ainda tenho de comprar cigarro fajuto. Antigo. Sem filtro.
Volto à padaria, outra marca:
- Não, sinto, só sem filtro.
Cilada, outra vez. Porcaria de campanha antifumo. Mas e a chuva? Temporal.
Raios!!!!! Lá longe, quase perto se anunciam.
Bem, tenho de correr, tênis molhados.
A um quarteirão de casa. Na banca, onde costumo ir, compro jornal...nada de cigarros. Padaria, só pães e alguns frios.
Já sinto o vento do temporal. Que saudade do meu sofá quentinho.
Do lado de casa: o bêbado, molhado com os primeiros pingos:
- Um dinheirinho...
-Tudo bem. Vc Tem cigarro?
- Serve Free? Só que é com filtro.
- Feito. Passa.
Dou R$ 20 reais. Ele me dá um maço amassado com 5 cigarros e vai feliz à padaria tomar sua pinga.
Voltamos felizes: eu fumo e ele continua bêbado.
domingo, 13 de junho de 2010
Mera atualização em Santo Antonio
Faz tempo que não atualizo meu blog. Sou meio crua nisto e nem tenho certeza de que sirva como espaço para se manifestar, seja lá sob qual forma. Bem, de qualquer forma, vou persistir, nem que minha persistência se restrinja a um mundo bem pequeno de pessoas bem queridas. Se aumentar, fico feliz.
Atualizando a pedidos!
Histeria Muda
(Ana Lúcia 26.02.2010)
Grande orelha surda,
Nada vê, nada sente, nem toca.
Barulhos de vozes.
Música alucinante.
Barulho que nem se quer perceber.
Garganta afundada n’areia.
Surdo e mudo
O mundo gira, gira e alguém fica.
Sufoco do pescoço
Nada engole ou digere.
Vozes mudas,
Sons agonizantes.
Ninguém dá atenção à angústia.
Pó grudado na traquéia
Sufoco imundo
Pó no mundo que gira e alguém foca.
Foto publicada na piscina da vida.
Nada de fundo, sem flash.
Nada!
Imagem cega,
Contraste atenuado.
Em nado a imagem é lamúria.
Prostração nua e imóvel
Num mundo foda.
Corpo inerte,
Orelha surda,
Olho cego,
Muda a voz.
Nus os braços da camiseta regata.
(Ana Lúcia 26.02.2010)
Grande orelha surda,
Nada vê, nada sente, nem toca.
Barulhos de vozes.
Música alucinante.
Barulho que nem se quer perceber.
Garganta afundada n’areia.
Surdo e mudo
O mundo gira, gira e alguém fica.
Sufoco do pescoço
Nada engole ou digere.
Vozes mudas,
Sons agonizantes.
Ninguém dá atenção à angústia.
Pó grudado na traquéia
Sufoco imundo
Pó no mundo que gira e alguém foca.
Foto publicada na piscina da vida.
Nada de fundo, sem flash.
Nada!
Imagem cega,
Contraste atenuado.
Em nado a imagem é lamúria.
Prostração nua e imóvel
Num mundo foda.
Corpo inerte,
Orelha surda,
Olho cego,
Muda a voz.
Nus os braços da camiseta regata.
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