sexta-feira, 5 de agosto de 2011

"Lágrimas em corpos" e "Pena" - 2 poesias

Lágrima em corpos
Ana Lucia (2010)


Há vezes em que o soluço soa só.
Noutras vem acompanhado de gotas,
De colírio, de consolo.

Lágrimas inexplicáveis.

Por ora as palavras são vozes ríspidas;
Ofensas a quem pretende não as merecer,
Raiva e amor,
Consolo em colo sem mérito.

No canto solo de lírios,
Lágrimas sós,
Abandonadas e brancas.

Mortas e nuas.
Ninguém as olha.

Assustados, sentem-nas
E continuam a chorar em pé.
Todos nus.
Almas brancas, líricas, tristes.
Só lágrimas.


Pena (Ana Lúcia - 2010)

Pena escrita,
pena de desenho claro,
poema atrelado;
Sofrido desenho à pena,
palavra: tinta a formatar.

Sentimento.
Ligações.

Poema percebido e arquitetado pela estranheza do verbo.
Poema desenhado,
tingido lá longe onde nada se vê;
lá longe, perto de tintas, formas e palavras.

Perto de nada.

Elos.

Pena de quem não vê montanhas,
Pena de quem não desenha o poema,
Pena de quem não arquiteta.
Pena do poema que não tem pena nem poema,
nem pena,
nem poema.
Nem pó.

Poema claro.
Arquiteto aqui perto do verbo,
forma e sentimento,
Verbo
Elo
Desenho
Cor
Traço
Limpo
Pena.

Bico de pena
Montanha clara,
Horizonte:
Poema!

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