Lágrima em corpos
Ana Lucia (2010)
Há vezes em que o soluço soa só.
Noutras vem acompanhado de gotas,
De colírio, de consolo.
Lágrimas inexplicáveis.
Por ora as palavras são vozes ríspidas;
Ofensas a quem pretende não as merecer,
Raiva e amor,
Consolo em colo sem mérito.
No canto solo de lírios,
Lágrimas sós,
Abandonadas e brancas.
Mortas e nuas.
Ninguém as olha.
Assustados, sentem-nas
E continuam a chorar em pé.
Todos nus.
Almas brancas, líricas, tristes.
Só lágrimas.
Pena (Ana Lúcia - 2010)
Pena escrita,
pena de desenho claro,
poema atrelado;
Sofrido desenho à pena,
palavra: tinta a formatar.
Sentimento.
Ligações.
Poema percebido e arquitetado pela estranheza do verbo.
Poema desenhado,
tingido lá longe onde nada se vê;
lá longe, perto de tintas, formas e palavras.
Perto de nada.
Elos.
Pena de quem não vê montanhas,
Pena de quem não desenha o poema,
Pena de quem não arquiteta.
Pena do poema que não tem pena nem poema,
nem pena,
nem poema.
Nem pó.
Poema claro.
Arquiteto aqui perto do verbo,
forma e sentimento,
Verbo
Elo
Desenho
Cor
Traço
Limpo
Pena.
Bico de pena
Montanha clara,
Horizonte:
Poema!
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