Delicadezas Todas
(Ana Lúcia – 15 de março de 2010)
No aeroporto, meu
nome vi.
No meu, vi o de todos.
E nós, nomes e todos, batemos acelerados.
Diversos voos, todos os corações.
Acima das nuvens,
Plainavam asas, corações e nós.
Pouso!
Pousemos,
Todos!
Aviões do tempo.
Vôos inomináveis de desejos.
Desejemos!
Delicadeza da segurança e bem querer.
Reencontremos!
Repouso.
Repousemos!
A jato, passado, presente e futuro.
Ansiedade dos quereres bem.
Voemos!
Cheguemos lá, bem longe no passado
E aqui, no maravilhoso presente que nos dão,
finquemos os pés.
Ancoremos!
Mas que se libertem os corações e que eles batam, batam até,
até...
Liberdade a eles e aos nomes.
Anônimos!
Falas, risos, doces, músicas...
Voemos todos muito
alto!
Então, chegam as redescobertas.
Fisionomias cravadas nos avós e bisavós de hoje.
De ontem, imagens congeladas
de pais e mães.
Todos amigos.
Todos.
Prazeres redescobertos ou anônimos,
Âncora de repouso necessário,
Desejos carinhosos,
Voemos e reencontremos
Uns aos outros!
Todos!
Tudo!
Os avós dos filhos, bisavós de depois e assim vai:
“a criança é pai do homem”.
Perpetuação do ser.
Perpetuar é ser.
Perpetuar amigos.
Perpetuar.
Ser amigos.
Ancorar!
Sejamos tudo em cada um!
Sejamos todos!
Sejamos cada um.
As âncoras podem sair...
Se de nada esperavam alguns,
todos saíram insatisfeitos.
Uma pequena lágrima iria boiar nos olhos,
Lágrima cordial,
Lágrima de todos,
Lágrima que tudo disfarçar pretendia,
Lágrima tensa, lágrima de cór,
Lágrima simplesmente.
Gota.
Escorrida, pretensa ou contida,
Dos olhos regados à polca paraguaia,
choravam todos uma pequenina que fosse,
Insatisfeita e incômoda
lágrima de coração.
De cór e coragem.
Desancorada.
O calor era tanto!...
Gotas de suor vinham e secavam.
Tal qual lágrimas presas nos olhos.
Desancorar!
Gotas!
Ah, esses voláteis corações!
Nada os teria satisfeito.
Tudo batia contra o tempo de cada um dos felizardos.
O tempo molhava e secava suores e lágrimas.
Rapidamente.
Âncoras em lugar sem mar!
Na fortaleza, insistiram as delicadezas.
Gentis e mimadas, pretendiam satisfazer o desejo
Desejo de um e de todos.
Folhas de uva, pães de mel, duplas sertanejas, churrasco,
arroz carreteiro.
Quanta confissão jogada ao vento...
Não havia tempo para içar corações alados e voláteis.
Leques, muitos leques ventavam das emoções, lágrimas e
suores.
Úmidos.
Unidos!
Bailemos!
Ah, jovens enamorados!
Enamoremos!
Se essa rua, se essa rua fosse minha,
Não mandava ladrilhar.
E as pedrinhas de brilhante
Cristalizavam amigos lá longe,
Muito longe, no céu
A voar, voar e voar!
Ancoravam pra sempre os corações,
Perto ou longe do mar.
Pra sempre.
E os corações
de todos e por tudo,
cada qual em seu voo,
Ficariam a lembrar, lembrar...
Prá sempre.
Até desancorar.
(lembrança de Campo Grande num final de semana em 13 de
março de 2010)
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